Inovação e criatividade em sistemas computacionais

Engenheiro especialista em sistemas Web e Android, CSM

O Brasil passa por um momento muito interessante se comparado à indústria mundial. Enquanto países de tradição cultural e industrial estão passando por crises financeiras e até colapsos econômicos, o Brasil passa por um agradável período de crescimento econômico e ascensão social. Com isso, a demanda por mão de obra qualificada aumentou e profissionais do mundo todo estão desviando seu foco para o Brasil, seja como um pólo promissor para investimentos, seja como um novo local de trabalho. Com isso, o mercado de trabalho está aumentando em competitividade; isso é bom ou ruim? O que fazer para não ser engolido por essa onda de profissionais altamente qualificados?

O que define a capacidade produtiva de um país? Seria o seu governo, seus ministros e seu conjunto de leis? Ou seria o seu parque industrial, seu tamanho, capacidade e sofisticação? Em última análise, o que define a produção de um país são as pessoas. O profissional de um país é a peça fundamental que impulsiona o seu crescimento; a cultura difundida entre os profissionais é o tecido que une essas peças produtivas. Como, então, não distribuir parte da culpa da falência de um país para os seus próprios profissionais? Dados os fatos, podemos questionar os modelos clássicos de produção, uma vez que está claro que eles não estão mais funcionando como já funcionaram até então.

O profissional brasileiro não deve se preocupar com a concorrência de profissionais importados. Nosso mercado está em expansão e tem capacidade de absorver a mão-de-obra, em especial os profissionais mais capacitados, com maior potencial e, mais importante ainda, mais produtivos. Mas como se manter produtivo?

Trabalhador super produtivoUma pena que mais braços ainda não são uma opção para ser mais produtivo.

O modelo tradicional de gerenciamento de projetos na computação, conhecido como Waterfall, trata o desenvolvimento de um projeto em 4 fases distintas: análise, prototipagem, desenvolvimento e testes. Terminadas essas fases, atinge-se o produto final. Esta abordagem foi, e ainda é, utilizada em diversos segmentos do mercado além da computação. Podemos observá-lo na indústria automobilística, por exemplo, onde um segmento de mercado é análisado, um modelo de carro é idealizado para atingir esse segmento, existe um tempo de desenvolvimento para o modelo, que depois é testado e entregue ao mercado. Mas seria essa abordagem ótima?

O processo de produção em massa desenvolvido no início do século XX operava com trabalhadores altamente especializados, larga escala e divisão do trabalho. Porém esse ambiente é propício para criar muito desperdício, especialmente se existe uma grande preocupação com a qualidade do produto e não é possível operar com quantidades praticamente ilimitada de recursos. Foi na época da segunda guerra mundial que surgiu uma nova visão sobre processos de produção, o Sistema Toyota de Produção (também conhecido como just-in-time), de onde se originou o Lean manufacturing, ou simplesmente, Lean.

lean e pdcaO PDCA: Plan, Do, Check, Act, como base para o Lean

O Lean foi o sistema produtivo que norteou o desenvolvimento da economia japonesa na época do fim da segunda guerra mundial, que em seguida norteou a produção dos tigres asiáticos e que hoje diferencia o modo de produção asiático do tradicional. Claramente, suas diretrizes devem ser, no mínimo, levadas em consideração ao se implementar um sistema de produção de um determinado produto.

Na computação, em especial, temos um ambiente muito dinâmico, onde produtos geralmente não são produzidos em larga escala, mas direcionado a um único específico cliente; além disso, ter profissionais experts para toda possível área da computação é virtualmente impossível. Visto isso, chegamos a conclusão de que os ambientes de produção de software, em especial no Brasil, são fortemente aptos a serem tratados por metodologias Lean, como o Scrum, que será visto em mais detalhes em um próximo artigo.

Mais do que nos preocuparmos com a situação fora de nosso país, ou com o nosso mercado mais competitivo, devemos olhar para o passado com um olhar crítico, e aprender o que funciona e o que não funciona. Assim garantimos o futuro de nosso país e o nosso próprio futuro como profissionais bem posicionados no mercado, competitivos e altamente produtivos.

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